domingo, 18 de dezembro de 2011

"All I Want For Christmas Is You", por David Fonseca

Só este músico, David Fonseca,



é que poderia ser capaz de tornar um tema que se ouve "ad nauseam" numa época já de si excessiva...

num meio simpático de fazer aquilo que de um modo sentido todos nós fazemos nesta altura do ano: desejar tudo de bom aos que nos são próximos e ao resto do mundo...

Para ver/ouvir:
David Fonseca sings "All I Want For Christmas Is You" - Videos David Fonseca

Ainda assim, gostei mais do tema do ano passado, "Last Christmas", pela complexidade, criatividade e ternura da interpretação.

Para ver/ouvir:
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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Mary Midgley

Seremos mesmos solitários egoístas por natureza ou, antes, animais (entre outros) capazes de empatia, simpatia, reciprocidade e outros sentimentos sociais que estão na base do comportamento moral?

Será o darwinismo incapaz de explicar a emergência da moralidade ou, pelo contrário, capaz de integrar o comportamento moral na teoria do evolucionismo e de o harmonizar com a selecção natural?


Eis a resposta da filósofa britânica nonagenária Mary Midgley nesta conferência em que contraria e refuta a famosa tese do "gene egoísta" da "pop-star" Richard Dawkins.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Cirque du Soleil: um circo sem animais!

O seu lema é "Un hommage à l’énergie, la grâce et la puissance de la jeunesse".




Tudo começou por volta de 1984 com um punhado de artistas de rua e hoje é uma referência única na arte circense composta pelos melhores artistas de todo o mundo.

Podiam não ser excelentes e ser apenas "jeitosinhos" a fazer umas avarias, mas só pelo facto de não usarem animais, mereceriam todo o respeito... Mas, não! Além de não usarem animais, são seres (quase sobre-)humanos geniais e brindam-nos com um espectáculo imparável!!!



Está a chegar o Natal e, com ele, a proliferação de circos tradicionais em digressão por tudo o que é cidade do país, arrastando consigo animais que não sabem que mal fizeram para ter que fazer piruetas de toda a espécie à frente de seres humanos (para não falar dos treinos, das viagens, das condições de alojamento quando estão em digressão e quando não estão)...

Para quem quiser conhecer o site do Cirque du Soleil ou adquirir bilhetes para ver em Lisboa neste Natal um circo excecional (e moralmente irrepreensível):

Acheter des billets pour le spectacle Alegría à Lisbonne

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Atirei o pau ao gato - GNR LEOPOLDINA

Normalmente, torcemos o nariz quando ouvimos dizer que qualquer coisa é "politicamente correcta". Apesar de ter a ver com a tentativa de neutralizar discriminações, soa muitas vezes a artificial...

Ou talvez não. Provavelmente, muitos vícios e preconceitos arreigados só podem ser eficazmente combatidos com atitudes e medidas deliberadas.

Foi por isso que gostei tanto da versão que o Rui Reininho (GNR) fez da canção infantil "Atirei o pau ao gato" para o cd da LEOPOLDINA. Esta canção engraçada, mas legitimadora da violência infantil sobre os animais, foi alterada no sentido de mitigar a ideia da violência e... magistralmente interpretada pelo grande Rui!

Adorei:




Assim como adorei a versão "Sebastião come tudo..." dos Cool Hipnoise! No meu tempo, esta canção infantil (???) a certa altura dizia que o Sebastião chegava a casa e batia na mulher!!! Os Cool Hiponoise preferem cantar: "chega a casa e dá um beijo na mulher".

Abaixo a violência! Abaixo o racismo, o sexismo e o especismo!

Viva o politicamente correcto!

Recomendação: documentário MONDEGO, por Daniel Pinheiro

Belíssimo, este documentário de 15m do coimbrinha estrangeirado Daniel Pinheiro (nas palavras do próprio, "an enthusiastic wildlife filmmaker"), sobre o rio Mondego e os seus habitantes (sobretudo animais não humanos), desde a Serra da Estrela até à Figueira da Foz:

© Daniel Pinheiro Wildlife Films

Ver documentário:

"Mondego" by Daniel Pinheiro from Daniel Pinheiro on Vimeo.
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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Meninas-jesus

Não sou nada dada ao Natal... Não tanto pela festa religiosa, pois respeito (e até invejo) quem acredita que Deus se fez homem nascido menino em Belém; é um mistério cuja conversão em dogmas (Santíssima Trindade, Encarnação) nem por isso deixou de fazer "suar as estopinhas" a teólogos e filósofos durante séculos, mas a mim não me inspira nem interpela... O que me faz não gostar desta época é o que normalmente se associa quase inerentemente ao Natal: a caridadezinha sazonal e o consumismo histérico. Abomino.

Mas acho que este ano o Natal entrou minha casa adentro sob a forma de duas criaturinhas inocentes e indefesas:


Estas duas meninas-Natal entraram ontem desamparadas (sem mãe, sem nome, etc.) no Canil Municipal de Braga e uma voluntária da ABRA (a extraordinária Lili) pediu-me para as acolher até a ABRA lhes arranjar uma família de acolhimento ou um(a) dono(a).







O seu hálito ainda cheira "a leite", as suas fezes e urina ainda cheiram "a bebé", mas sempre que podem, não deixam de mostrar a sua raça:










Bem-vindas, meninas-jesus!

domingo, 27 de novembro de 2011

Fado e animais: a propósito de patrimónios imateriais

Parabéns ao fado, desde hoje (27/11/2011) reconhecido pela UNESCO como património imaterial da humanidade!

Aprendi a gostar de fado na adolescência e no estrangeiro... Estava em Berlim, a conhecer a cidade e o resto da Alemanha e descobri em casa dos meus amigos anfitriões a discografia completa de Amália Rodrigues ao lado de vultos como Frank Sinatra e Kurt Weill. Os meus amigos alemães explicaram-me o que era o fado e quem era Amália e só quando me obrigaram a ouvir os seus discos vinil (eu sou do século passado!) é que todos os meus preconceitos se começaram a diluir.

Hoje, ouço frequentemente Amália Rodrigues, não só as suas interpretações de fado, como de temas líricos, de cantautor, de jazz ou de Bossa Nova. Talvez por causa do doutoramento, tenho trauteado frequentemente esta brincadeira genial da “Formiga Bossa Nova” (também já interpretado pela Adriana Calcanhoto):

Ver vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=WS-2wcIw5B0

Graças à Amália e aos meus amigos alemães, ouço e deleito-me com todo o tipo de fado e de interpretações: da “Casa da Mariquinhas” (qualquer versão) ao “Homem da Cidade” (do Carlos do Carmo), do Alfredo Marceneiro à Mariza, do Carlos Paredes às baladas de Coimbra, da Beatriz da Conceição ao Camané, da Hermínia Silva à Mísia, e por aí fora.

Estou mesmo muito orgulhosa deste merecido reconhecimento!

E o que é o fado, património imaterial da humanidade, tem a ver com os animais?

É que o lobby da tauromaquia anda a mexer-se para fazer o mesmo com as touradas!!!

A tourada já é património imaterial em países como a França!!! Em Portugal, por exemplo, desde 16 de novembro deste ano que a Capeia Arraiana foi inscrita no inventário Nacional do Património Cultural Imaterial!!!

Ver no Diário da República: http://dre.pt/pdf2sdip/2011/11/220000000/4539045391.pdf


Ora, há uma característica fulcral que distingue um património imaterial como o fado de outro património (?) imaterial (?) como a tourada ou a capeia: o sofrimento, neste caso, dos animais.

Não consigo compreender a esquizofrenia evidente das nossas sociedades civilizadas, que são cada vez menos tolerantes ao sofrimento de todo o tipo e até se dão ao luxo de reconhecer patrimónios imateriais, mas depois valorizam hábitos e tradições bárbaras só porque são “very typical”.

Se o fado exigisse o sofrimento (inocente e indesejado!) dos fadistas daríamos os parabéns com o mesmo orgulho aos organizadores da candidatura à UNESCO?

Mas há outra razão fundamental que afasta as touradas e as capeias do fado: se o fado é hoje (agora de juri uma world music que de facto há muito já o era) é porque se soube reinventar. Amália, por exemplo, atreveu-se a introduzir poetas como Camões (que escândalo na altura!) ou David Mourão-Ferreira no seu repertório, Mariza escolheu Jacques Morelenbaum como produtor de um dos seus álbuns mais bem sucedidos, etc.

É isso que faz com que estas fadistas de gema e ilustres representantes de Portugal (da sua língua, mas também dos estilistas e dos cabeleireiros que cuidam da sua imagem) no mundo já nada tenham a ver com a fadista retratada no famoso quadro de José Malhoa, "O Fado", 1910:



Ora, é isso que não se vê nas touradas e nas capeias: a barbárie mantém-se. O fado limpou os vestígios de pobreza, de crueldade, de ignorância, de estigma (e até do regime salazarento!) que a ele estavam associados e hoje é um embaixador que a todos orgulha, mesmo a quem não gosta deste tipo de música. Já as touradas e as capeias mantêm o pior que as tradições podem ter: a violência ancestral ritualizada...

Talvez a violência fosse mais tolerada (?) nas sociedades do passado, mais pobres, mais duras, menos escolarizadas, mais dependentes dos animais para tudo. Mas hoje? Elevada ao estatuto de património (?) imaterial (?) da humanidade??? Da humanidade? Humanidade? Humanidade ou antropocentrismo? Se calhar é património imaterial do antropocentrismo, ou seja, da visão tradicional (i.e. pré-científica) do homem no centro de tudo e a usar e abusar de todos os seres da terra...


Eis um exemplar do património imaterial do antropocentrismo versão "tuga":