sexta-feira, 17 de junho de 2011

Recomendo um livro que me foi recomendado

Gareth B. Matthews
Santo Agostinho (trad. Hugo Chelo), Lisboa, Edições Setenta, 2008.






Santo Agostinho pode ter tido todos os defeitos do mundo (por exemplo, abandonar a mãe do seu filho Adeodato para se dedicar a Deus - um santo não devia ter feito isso a uma mulher!), mas é um escritor apaixonante e deixou um legado controverso que muito tem dado que pensar aos que o lêem. Obrigada, Santo Agostinho!

Gareth B. Matthews escreveu, entre muitas outras coisas, Santo Agostinho, para analisar de um modo simultaneamente acessível e rigoroso os principais assuntos tratados por este teólogo/filósofo.

Agrada-me muito a maioria das suas reflexões, mas há uma, no capítulo "O problema das outras mentes" que muito me sensibilizou:

"Ao tornar-me vegetariano, não se tratou tanto de alterar as minhas opiniões sobre novilhos e galinhas, mas antes de mudar a minha atitude em relação a eles. Contudo, isto não quer dizer que o raciocínio não tenha desempenhado qualquer função. Assim, para mim, foi importante que me tenham dado provas de que todas as aves e mamíferos sonham. Penso que não há provas similares desta actividade nos anfíbios, peixes ou animais inferiores. Raciocinei do seguinte modo: qualquer organismo que sonhe tem muito provavelmente algum género de experiência subjectiva, talvez não muito diferente da minha. Ao pensar sobre isso, descobri que não quero comer sonhadores. O raciocínio influenciou as minhas atitudes" (p. 109).

Quem já se deteve por alguns instantes a contemplar os seus animais a dormir (a sonhar, por vezes pesadelos, a avaliar pelos movimentos e pelos seus "vocábulos"!) não pode ser indiferente a esta passagem de Gareth B. Matthews...

Na foto, o Barbichas (o cão - o amarelo - da ABRA mais "calmeirão" que passou por minha casa) e o Luisinho (o cachorrinho - o preto - da ABRA mais irrequieto que passou por minha casa):



Estará S. Agostinho a dar voltas no túmulo por causa destas reflexões de Matthews a partir do que o santo escreveu em obras como Da Trindade?

António Damásio

Dispensa apresentações. É simplesmente o nosso cientista mais famoso (académica e cientificamente falando).
Notabilizaram-no, entre muitas outras coisas, a edição de obras como:

O Erro de Descartes. Emoção, Razão e Cérebro Humano (trad. Dora Vicente e Georgina Segurado), Europa-América, Mem-Martins, 1995;

O Sentimento de Si. O Corpo, a Emoção e a Neurobiologia da Consciência (trad. P.E.A.), Europa-América, Mem-Martins, 2000;

Ao Encontro de Espinosa. As emoções Sociais e a Neurobiologia do sentir (trad. P.E.A.), Europa-América, Mem-Martins, 2003.

e mais recentemente

O Livro da Consciência. A construção do Cérebro Consciente (trad. Luís Oliveira Santos), Temas e Debates/Círculo de Leitores, Lisboa, 2010.




Este livro é especialmente recomendável porque é, tal como o autor informa nas primeiras páginas, um recomeço: "Todos os livros devem ser escritos por uma boa razão e a razão para este foi começar de novo" (p. 23).

E é assim que assistimos ao longo da obra a uma revisitação de questões já abordadas e, em duas delas, a uma alteração profunda do seu ponto de vista, a saber, "a origem e a natureza dos sentimentos, e os mecanismos por trás da construção do eu".

Há uma questão em particular que é alvo de um maior esclarecimento: quais os animais não humanos que, além de consciência nuclear, têm também um EU AUTOBIOGRÁFICO.

Nesta obra, são identificados: “os lobos, os nossos primos símios, os mamíferos marinhos, os elefantes, os felídeos e, claro, aquela espécie especial chamada cão doméstico” (p. 45).

No fundo, não é nada para o qual o autor não tivesse já alertado quando confessou em O Sentimento de Si:

"Nos tempos em que estudava medicina e neurologia, lembro‑me de perguntar a algumas das pessoas mais sábias que me rodeavam como é que produzíamos a mente consciente. Curiosamente, a resposta era sempre a mesma: o segredo está na linguagem. Diziam‑me que as criaturas sem linguagem estavam limitadas à sua ignorante existência, ao contrário de nós, felizardos humanos, a quem a linguagem permitia conhecer. A consciência era uma interpretação verbal dos processos mentais em curso. A linguagem providenciava o afastamento necessário para podermos olhar para as coisas com a distância necessárias. Esta resposta pareceu‑me sempre muito simples, simples demais para explicar um fenómeno que eu imaginava na altura impossível de explicar dada a sua complexidade. E a resposta não só era simples, mas também improvável, dado o que me era dado ver sempre que visitava o Jardim Zoológico. Nunca acreditei na resposta e agrada‑me muito nunca ter acreditado” (p. 133).

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Paul McCartney

Podia fingir e enumerar meia dúzia de temas dos Beatles como sendo os meus preferidos, mas a verdade é que sempre que penso em Paul McCartney só me lembro do inigualável "We all stand together" ou da "Frog Song" e do inesquecível "BOM, BOM, BOM - BY-I-YAH, BOM, BOM, BOM - BY-I-YAH", enfim, dos gloriosos anos 80 e da minha infância.




Ainda hoje me arrepio sempre que revejo este vídeo... E, diferentemente de muitos especialistas em Estética e Filosofia da Arte (por exemplo, o meu professor de Estética, em Coimbra, o Prof. António Pedro Pita), eu estou do lado do senso comum e do povo e defendo: "gostos não se discutem"!



Hoje em dia, Paul McCartney é para mim sobretudo uma referência nas questões do estatuto moral dos animais e das suas consequências ao nível dos nossos hábitos alimentares.

No BIOGRAPHY CHANNEL, descobri que o casal Paul e Linda McCartney se tornaram veganos quando um dia na sua quinta estavam a comer borrego enquanto observavam pela janela um cordeirinho a brincar... Concluíram em simultâneo que não fazia qualquer sentido comer animais.

Até morrer, Linda escreveu vários livros de culinária vegana - hoje, autênticos clássicos.

Paul McCartney continua o seu testemunho, em particular neste vídeo:


Amantes do chocolate, não há razões para o desespero!

É difícil encontrar chocolate sem leite de animais. Mas não é impossível!

Por exemplo, em Braga, no ALFACINHA (centro histórico) é possível encontrar tabletes de chocolate sem leite (nem glúten!) e outras criações "chocolateiras" caseiras.

Já provei, como se vê nas fotos, têm o mesmo sabor (a chocolate!), o mesmo preço, mas são mais saudáveis (e sem sofrimento animal)...



Bem-vinda, querida Milú!

Espero que sejas feliz connosco (tua família de acolhimento temporário) na nossa casa (até teres padrinho/madrinha de voo para a Alemanha, para os teus novos donos)!

Espero também que deixes de rosnar ao Cãozinho, à Pi e à Luna... porque eles já cá estavam...

Tirando isso (e o facto de não gostares que te limpem as patas quando vens da rua), já te adoramos, por todas as razões e mais alguma (por exemplo, porque és muito asseada)!

Obrigada ABRA (Associação Bracarense dos Amigos dos Animais) por nos proporcionares esta experiência!


Dois livros traduzidos para português sobre as emoções dos animais

Felizmente, já há muita bibliografia sobre o estudo das emoções nos animais.
Em português já estão traduzidos pelo menos dois livros, muito acessíveis, quer ao nível do preço, quer ao nível dos conteúdos (pois, apesar de rigorosos, são livros de divulgação):

Mark Bekoff, A VIDA EMOCIONAL DOS ANIMAIS (trad. Ana Maciel), Estrela Polar, Alfragide, 2008.











Jonathan Balcombe, O REINO DO PRAZER (trad. Maria Emília Novo), Europa-América, Mem-martins, 2007. Tem um prefácio de duas páginas de P. Singer!










De Mark Bekoff entretanto já foi traduzido o seu MANIFESTO DOS ANIMAIS, (trad. Pedro Vidal), Estrela Polar, Alfragide, 2010, onde desenvolve as "seis razões essenciais para mudarmos a forma como tratamos os animais", a saber: "1. Todos os animais partilham a Terra e temos de coexistir; 2. Os animais pensam e sentem; 3. Os animais têm e merecem compaixão; 4. A ligação origina respeito, a alienação origina desrespeito; 5. O nosso mundo não tem compaixão para com os animais; 6. Agir com compaixão ajuda todos os seres e o nosso mundo."











De Jonathan Safran Foer, também já foi traduzido COMER ANIMAIS (trad. Luís Santos), Bertrand, Lisboa, 2010, onde "levanta a questão muda que está por trás de cada peixe que comemos, de cada frango que fritamos e de cada hambúrguer que grelhamos"...

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Sapatos Melissa: de plástico reciclável (i.e. sem pele animal) e para todos os gostos!

Descobri que em Braga, na loja ROSA CHOQUE (centro histórico), há calçado MELISSA!

É calçado produzido por uma empresa brasileira e feito em plástico reciclável!

Pelo menos tem o símbolo:










Além disso, tem criações para todos os gostos: ora mais práticos, ora mais chiques, com cores mais neutras ou mais "exóticas"!

Exemplo de uma melissa prática:









Exemplo de uma melissa chique (ou corajosa!):










O site da MELISSA é http://www.melissa.com.br/pt/produtos