Afinal, o que será a tal soja que tanto alimenta aqueles que não comem animais?
Não encontro caracterização mais insuspeita do que a que faz a mestre Maria de Lurdes Modesto no livro onde procura ensinar os portugueses a fazer pratos tradicionais ou inovadores com vegetais - não é, portanto, um livro para veganos ou vegetarianos, mas para omnívoros que se esquecem de integrar vegetais nos seus pratos quotidianos.
in Cozinhar com Vegetais, Lisboa, Verbo, 2005, p. 204-205.
Apesar de não ser portuguesa (não tem nada a ver com nacionalismo, tem apenas a ver com o impacto ambiental dos alimentos que vêm do outro lado do mundo), a soja é de facto uma proteína vegetal excelente.
O melhor modo de a comer é sob a forma de tofu, o leite do feijão da soja coagulado graças ao efeito de um coagulante natural chamado nigari. Em Portugal já há muitas marcas e muitos locais onde comprar.
domingo, 25 de setembro de 2011
Ainda a minha gata, Luna
É tão bonita a minha gata, mesmo em convalescença...
Acho que se isto passar (terá que fazer quimioterapia para erradicar "o mal" com maiores garantias), ainda posso contar com ela durante mais uns tempitos...
Há uma música muito bonita do David Fonseca que me faz lembrar muitos humanos importantes da minha vida, mas hoje, dedico-a também,
mutatis mutandis, à minha velha companheira felina Luna:
"U know you I am": ttp://youtu.be/XMa7JjPkMGw
Catalunha diz adeus às touradas: 25/09/2011
Há muito de afronta a Madrid e à Espanha como um estado unitário (?) nas intenções subjacentes a esta decisão da Comunidade Autonómica da Catalunha,
mas as consequências são muito boas: na Catalunha não voltará a haver espectáculos para humanos à custa do stresse, de ferimentos e da morte de touros.
Ver notícia:
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Gato fiel
O Herald Sun, um jornal australiano, fez uma mini-reportagem sobre um gato fiel que todos os dias vai levar e esperar, de manhã e ao fim do dia, a sua dona à estação de comboio. Chama-se Graeme:
Apesar de não concordar muito com este tipo de feitos que os donos permitem aos animais (do mesmo modo que me arrepiaria se fossem feitos por crianças, idosos e outros humanos frágeis e mais sujeitos a riscos de todo o tipo), não deixa de ser espantoso este talento (ou talentos: a pontualidade, a concentração, etc.) deste bichano!
Vídeo:
http://video.heraldsun.com.au/2131780176/Feline-trainspotter
Apesar de não concordar muito com este tipo de feitos que os donos permitem aos animais (do mesmo modo que me arrepiaria se fossem feitos por crianças, idosos e outros humanos frágeis e mais sujeitos a riscos de todo o tipo), não deixa de ser espantoso este talento (ou talentos: a pontualidade, a concentração, etc.) deste bichano!
Vídeo:
http://video.heraldsun.com.au/2131780176/Feline-trainspotter
Luna...
A minha gata fez 12 anos no dia 26 de Junho...
Na semana passada, numa das milhares de massagens que lhe faço por dia, encontrei um nódulo numa das mamas. Foi analisada no dia seguinte e submetida a uma operação cirúrgica no dia depois do seguinte. Tudo correu bem, mas, devido à velhice o pós-opratório complicou-se, porque o seu sistema renal teve dificuldade em "ressuscitar" depois da anestesia geral...
Temi pela sua vida - e pela minha também, porque de repente não me imaginava sem a companhia discreta mas vigilante deste animal tão único que convive comigo há doze anos... Não me sentia ainda preparada para a sua morte. Ela está sempre comigo - sobretudo quando trabalho e estudo na secretária...
Nunca uma das definições de Tom Regan de "sujeito-de-uma-vida" (categoria que engloba mamíferos humanos e não humanos e pássaros) me pareceu tão certeira. Andei sempre com ela na cabeça durante estes dias: os sujeitos-de-uma-vida “trazem o mistério de uma presença psicológica unificada ao mundo” (Regan, T. (2004), The Case for Animal Rights, p. xvi).
Acho que o meu mundo vai poder contar com esta presença psicológica unificada tão especial chamada Luna. Espero que durante muito mais tempo...
Para aqueles que às vezes têm saudades de sabores antigos mas recusam fazer sofrer animais...
O veganismo não é apenas uma dieta que não inclui animais e seus derivados, é um modo de nos alimentarmos atento a mil e uma coisas que, de repente, passam a ser consideradas, como o valor nutritivo dos alimentos e a sua relação com a nossa saúde, o modo como é produzido, transportado e comercializado, o seu impacto ambiental, etc. É, no fim das contas, um modo de vida, onde de um modo muito espontâneo deixa de fazer sentido consumir alimentos que até aí eram considerados banais.
No entanto, às vezes, dá-nos uma certa vontade de fazer uns disparates. E ainda bem que a indústria alimentar se lembrou de nós que queremos uma gulodice, mas sem fazer sofrer os animais!
Por exemplo, descobri que já há
a) alheiras veganas (apesar de intituladas "vegetarianas", não têm quaisquer derivados de animais):
b) gelatina vegana (embora mais saudável seja fazer em casa a gelatina com fruta natural e agar-agar):
No entanto, às vezes, dá-nos uma certa vontade de fazer uns disparates. E ainda bem que a indústria alimentar se lembrou de nós que queremos uma gulodice, mas sem fazer sofrer os animais!
Por exemplo, descobri que já há
a) alheiras veganas (apesar de intituladas "vegetarianas", não têm quaisquer derivados de animais):
b) gelatina vegana (embora mais saudável seja fazer em casa a gelatina com fruta natural e agar-agar):
c) gelado vegano (também na forma tradicional, individual e com pauzinho):
Pronto, ninguém é perfeito...
Recomendação: Philosophie Magazine
Philosophie Magazine é uma revista francesa de filosofia que sai de dois em dois meses desde Abril de 2006.
Cada edição tem sempre dois dossiês: um sobre um tema da actualidade que faz a capa da revista e outro sobre um filósofo cujos textos são apresentados e comentados.
Tem ainda muitos temas secundários, entrevistas, curiosidades, que normalmente são disponibilizados no seu blogue: http://www.philomag.com/index.php
O seu segundo número (Junho de 2006) foi sobre a erosão da fronteira entre o homem e o animal. Uma edição extraordinária!
Em Junho de 2011, o dossiê da edição tinha como título "Eu sou o que como":
Recomendo em particular a entrevista de Michel Onfray,
http://www.philomag.com/article,dossier,michel-onfray-confessions-d-un-gastrosophe,1508.php
onde além de considerações muito interessantes sobre a alimentação humana, faz o seu "mea culpa":
"Le principe même de manger de la viande est aujourd'hui remis en question par toute une série d'intellectuels (de Peter Singer à Jonathan Safran Foer) au nom de la souffrance animale que génère la consommation de viande. Comment se situe la diététique hédoniste que vous défendez sur cette question ?
Cada edição tem sempre dois dossiês: um sobre um tema da actualidade que faz a capa da revista e outro sobre um filósofo cujos textos são apresentados e comentados.
Tem ainda muitos temas secundários, entrevistas, curiosidades, que normalmente são disponibilizados no seu blogue: http://www.philomag.com/index.php
O seu segundo número (Junho de 2006) foi sobre a erosão da fronteira entre o homem e o animal. Uma edição extraordinária!
Em Junho de 2011, o dossiê da edição tinha como título "Eu sou o que como":
Recomendo em particular a entrevista de Michel Onfray,
http://www.philomag.com/article,dossier,michel-onfray-confessions-d-un-gastrosophe,1508.php
onde além de considerações muito interessantes sobre a alimentação humana, faz o seu "mea culpa":
"Le principe même de manger de la viande est aujourd'hui remis en question par toute une série d'intellectuels (de Peter Singer à Jonathan Safran Foer) au nom de la souffrance animale que génère la consommation de viande. Comment se situe la diététique hédoniste que vous défendez sur cette question ?
C'est l'une de mes contradictions : sur le papier, j'adhère totalement au discours qui conclut à la nécessité du végétarisme. Dans la vie, je ne peux me passer dans ma cuisine des poissons, des crustacés, de la viande… Je ne cuisine jamais de viande pour moi, je n'en mange jamais quand je suis seul, mais je la prépare pour mes amis et j'en mange avec eux. En revanche, je suis un passionné de poissons et de fruits de mer. Mais j'ai une fois ouvert mes homards vivants avant de les griller à la cheminée, je ne recommencerai plus…"
É um bom começo, o "mea culpa"...
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